O Crematório

Titulo do capítulo: Capítulo 1 - O grupo

Autor: Ester Silva







Na manhã de 30 de outubro Jaqueline estava se
arrumando para ir ao colégio, ela calçou seu
all star azul, sua camiseta
do The Neighbourhood e colocou uma calça que estava rasgada nos joelhos. O dia estava quente, moscas
sobrevoavam o resto de comida do jantar passado que
ficou em cima da mesa. Jaqueline pegou sua
mochila e seu fone de ouvido e foi em direção ao
colégio. Naquela
manhã, ela se reuniu com seus amigos. Maxwell era o "pegador" do
grupo, toda semana aparecia com
uma garota nova desfilando pelos corredores como se elas fossem um
troféu. Peter era o ex que a Jaqueline tinha
que aturar pois ele fazia parte do grupo. Eles
haviam se relacionado durante alguns meses,
mas ele escondeu que tinha uma filha de um
antigo relacionamento. Peter era o repetente que sempre puxava
os cachos de Jaqueline e a
irritava. Andrei era o mais novo e mais medroso do grupo, ele
veio de uma criação

conservadora
e rígida, vez ou outra escapava para beber com o grupo. Amanda era a melhor
amiga da Jaqueline, ela gostava de tudo que
fosse preto desde as maquiagens até as roupas.



Amanda gostava de se vestir de forma
extravagante deixando ressaltar seus seios avantajados
fazendo com que todos a olhassem. Elija era a
cabeça do grupo, lésbica, com o QI mais
avançado, ela fazia parte do coral e do time de futsal.



O relógio apontava 11:00AM quando eles
estavam discutindo sobre a festa de dia das bruxas:



- Eu ainda não sei
com qual fantasia eu vou. - Disse Elija sentada na mureta enquanto fazia



tranças no cabelo da
Amanda.



- Eu estou pensando
em ir de bruxa. - Amanda disse enquanto fazia um semblante de dor



enquanto Elija puxava
as tranças.



- Para quieta garota,
senão eu não consigo terminar essas tranças.



- Tenho que aturar o
Peter todos os dias e vou ter que aturar ele na festa hoje? - Jaqueline



suspirou e revirou os
olhos.



- Pode ser uma
oportunidade de nós conversarmos e reatarmos. - Peter disse enquanto passou
o braço em volta do ombro de Jaqueline.



- Me deixe em paz! Eu não tenho nada para
conversar com você. - Jaqueline saiu de perto dos
seus amigos e foi até a lanchonete.



Ela sentou-se para almoçar e Peter ficou ao
seu lado.



- Você ainda tem
raiva de mim?



- Como não teria,
Peter? Nós namoramos por quase um ano e você nunca me disse que tinha



uma filha. Eu só
descobri porque peguei seu celular e vi a mãe da menina mandando



mensagem.



- Eu sei que errei em
não te contar, mas eu não poderia ficar com a minha filha enquanto não



achasse um lugar
estável para morar. Mas sempre estive presente na vida delas, para



ajudá-las.



- Eu não sei o que
dizer, eu não duvido que você seja um ótimo pai, só não entendo porque



escondeu isso de mim.



- Eu te pedi perdão
inúmeras vezes, eu sempre te admirei e te amei. Mas não posso ficar indo



atrás. Sei que te
irrito às vezes. Mas, é por isso que eu quero sua atenção. Você ainda me ama?



- Sinceramente, eu
amei muito você, hoje eu não sei mais. - Jaqueline falou enquanto se



levantava da mesa.



 



Passaram algumas
horas e o grupo todo se reuniu na frente do colégio para combinar o que



cada um levaria na
festa, Elija ditou todas as regras e o que cada um deveria levar.



- Andrei você vai
levar doces, chocolates e sucos; Peter, refrigerantes, garrafas de água,



salgados; Amanda, Vodka,
energético, cervejas e gelo; Jaqueline, preciso que você compre 20g
de maconha, também preciso que você pegue o
bong e compre pirulitos. Max, traga os dvd de
filmes de terror, se possível a coleção do
Michael Myers e Jogos Mortais, e eu vou levar duas
pizzas grandes e o tabuleiro Ouija. Qualquer
pessoa além de nós, não será bem-vinda.



Todos concordaram, se despediram e foram
embora.



Jaqueline foi para o
mercado juntamente com Andrei e Amanda para que eles comprassem o
que fosse necessário.



- Identidades na mão! - Andrei deu um sorriso
amarelado e entregou as identidades para que



eles pudessem comprar
bebidas alcóolicas. Embora todos tivessem menos de 18 anos,



Jaqueline sempre
usava o carro de seus pais para resolver as coisas do dia a dia.



No mercado eles
compraram tudo que foi solicitado, voltaram ao carro e foram em um



conhecido para
comprar a maconha.



- Como tradição do
dia das bruxas, quem organiza o local tem o direito de fumar no bong



antes da festa
começar! - Jaqueline falou enquanto subiu no sofá tirando a camiseta e jogando
em qualquer canto.



Eles fumaram, ficaram chapados e colocaram
Lana Del Rey para tocar no último volume.



Algumas horas depois
a casa estava pronta. Espantalhos, abóboras, teias de aranha, fantasmas,
vassouras de bruxas e a mesa de doces,
salgados e bebidas.



Andrei estava fantasiado de múmia, Jaqueline
de vampira e Amanda de bruxa.
Logo, Peter chegou fantasiado de vampiro.



- Era só o que me faltava. Só porque eu disse
que iria me fantasiar assim. Você quer chamar



tanto minha atenção e
me irritar que até copia o tema da fantasia. - Jaqueline subiu as escadas
do seu quarto, respirando fundo.



- Eu só queria impressioná-la. - Peter disse
enquanto sentou-se cabisbaixo no sofá.



- Usando o mesmo tema
de fantasia que ela? Vocês não são mais um casal e ela não gosta mais
de você, seu babaca. - Amanda disse furiosa
jogando seu chapéu de bruxa no rosto de Peter.



- É meu amigo, a noite nem começou e temos
essa tensão sexual e esse amor não resolvido de
vocês dois para lidar. - Andrei disse
indignado enquanto arrumava a mesa com os comes e
bebes.



A campainha tocou, era Elija e Maxwell, eles
sempre estavam juntos. Elija estava fantasiada



de Carrie a Estranha,
deixando ressaltar ainda mais seu cabelo loiro, e Maxwell de pirata.



- Como estamos com a
organização? - Elija suspirou com tom de autoridade.



- Tudo certo por
aqui... e uau, como você está incrível. - Andrei disse enquanto alisava o cabelo
de Elija.



- Muito obrigada... cadê a Jaque?



- O que você acha?
Quem copiou o tema da fantasia dela... - Amanda disse virando um shot de
Vodka.



- Peter, sendo Peter. Nós amamos muito você,
mas não concordamos com suas atitudes



babacas, somos um
grupo e a intenção é ninguém ferir ninguém. - Max respirou fundo e



sentou-se ao lado de
Peter enquanto Elija e Amanda subiram até o quarto de Jaqueline.



- Uau, você está uma
gata! - Elija abre um breve sorriso. Ela não era muito de elogiar ou



demonstrar afeto, mas
se esforçava pois Jaqueline sempre foi sentimental e gostava de receber
elogios das suas amigas.



- Oi amiga, muito obrigada. Você está macabra
e deslumbrante. Vamos sair desse quarto. -



Jaqueline limpou o
rosto de lágrimas e as três foram em direção a sala de estar.



- Muito bem pessoal,
atenção! Daqui a pouco o relógio vai apontar meia-noite e nós vamos fazer
algo novo! - Peter olhou maliciosamente para
todos.



- O que tem em mente? - Andrei disse enquanto
devorava dois pedaços de pizza.



- Vamos ao
cemitério... - Peter deu uma pausa. - Jogar Ouija.



- Você só pode estar
brincando! Tem que ser muito babaca para pensar em um absurdo como
esse! - Jaqueline olhou furiosamente para
Peter.



- É, não é uma má ideia. - Amanda olhou por
cima dos seus óculos redondos, encarando



Jaqueline.



- Mas, amiga... e se
algo acontecer? - Jaqueline colocou a mão na testa de nervoso.



- Eu não vou! - Elija
disse com firmeza.



- Eu também não, me
tirem fora dessa! - Maxwell cruzou as pernas enquanto deu play no



filme.



- Eu vou fumar e
dormir. Não contem comigo! - Andrei disse olhando para Peter.



- Amanda e Jaqueline?
- Peter perguntou.



- Nós vamos, será uma
experiência e tanta! - Amanda disse empolga
da.

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