O Crematório

Titulo do capítulo: Capítulo 2 - Aventuras

Autor: Ester Silva

Quando o relógio apontou meia-noite já era 31
de outubro, o tão esperado dia das bruxas.

Jaqueline, Amanda e
Peter estavam fora do cemitério procurando uma forma de entrar sem
 serem vistos.

Amanda decidiu que
entrar por um buraco que ficava ao lado do portão de trás era a opção
 mais viável. Quando
todos entraram, eles procuraram um canto perto das lápides para que 
começassem o jogo.

Era uma noite fria
onde só se ouvia o assovio do vento e as folhas ásperas arrastando pelo
 chão. Amanda estava
com os olhos brilhando, ela sempre estava encantada por tudo aquilo 
que fosse macabro e
obscuro. Jaqueline gostava apenas de filmes de terror, mas nada que 
pudesse ser colocado
em prática. Peter não tinha medo do pior acontecer. 
Eles acenderam velas,
ajeitaram o tabuleiro Ouija, deram as mãos e perguntaram se tinha 
alguma entidade entre
eles. O silêncio foi ensurdecedor. Eles tentaram novamente, mas nada
aconteceu.

- Isso que dá comprar tabuleiro em loja de
brinquedos. - Jaqueline sorriu debochada pensando
que foi uma perca de tempo estar ali.

- Espere que você verá. - Peter disse
concentrado enquanto mordia os lábios.

Passou alguns minutos
e nada aconteceu.

- É, acho que estamos
fazendo isso errado. Precisamos de sangue de virgem.

- Você está brincando
né? Onde vamos achar uma virgem agora? - Jaqueline riu.

- Espera... você não
é mais? Por que você disse que não estava pronta enquanto nós estávamos
juntos e você simplesmente transou com outra
pessoa?

-Peter! Cala a sua boca. Esse não é o local e
nem o momento para discutirmos isso. E aliás, eu
faço o que eu quero com o meu corpo e com
quem eu quero. - Jaqueline disse aumentando o
tom de voz.

- Por favor, pessoal. Vamos nos concentrar. -
Amanda falou irritada.

- Não, Amanda. Eu vou
andar por aí. Não quero mais jogar com esse tabuleiro fuleiro que não
serve para nada. - Peter respondeu se
levantando rapidamente.

Peter saiu andando naquela vasta escuridão
que assolava o cemitério, sem medo do que
 poderia acontecer.
Jaqueline respirou fundo e levantou enquanto Amanda insistia em 
permanecer.

- Vocês não fecharam
o ciclo, não podem simplesmente sair do jogo sem pedir permissão.

- Amiga, vamos! Isso
não vai dar em nada. - Jaqueline apagou as velas e puxou Amanda do
 chão. Elas foram
atrás do Peter que andava perdido.

- Se você vai andar
sozinho pelo menos nos espere. Não tem por que você ficar bravo agora. Jaqueline
disse enquanto tentava alcançar Peter.

Peter não ouviu e continuou caminhando.

- Meninas! Olhem o
que eu achei. - Peter disse deslumbrado.

- Ah, é o crematório,
achei que ficasse em outra cidade. Mas pelo visto, as pessoas que pagam
para serem cremadas ficam por aqui mesmo. -
Amanda afirmou enquanto olhava para ver se
tinha alguma entrada.

- Está trancado. - Peter confirmou.

- Não mais. -
Jaqueline disse enquanto abria a porta com um grampo.

- Onde você aprendeu
isso? - Peter questionou surpreso.

- Tem muitas coisas
sobre mim que você não sabe. - Jaqueline sorriu enquanto dava as mãos
para Amanda para que elas entrassem juntas.

Ainda dentro do crematório, havia um cheiro
muito forte de produtos químicos e estava muito
quente, mas nada que eles não pudessem
aguentar.

- Veja só... o que é isso? - Amanda ativou
seus sentidos de curiosidade.

- Não mexa e nem
toque em nada. - Jaqueline afirmou.

- São cinzas de
pessoas falecidas. Olha o nome e a data de cada um. Acredito que amigos ou
familiares vem retirar e depois fazem um
ritual de despedida. - Jaqueline confirmou enquanto
olhava vidro por vidro.

De repente ouviu-se um som de algo quebrando.

- Mas que porra é
essa? - Amanda disse assustada.

- Estou bem... estou
bem, meninas. - Peter disse com metade do vidro em suas mãos e a outra
metade no chão com as cinzas espalhadas.

- Mas que merda você fez? Tem alguma câmera
de segurança por aqui? - Jaqueline disse de
joelhos no chão enquanto tentava recolher o
resto das cinzas.

- Tem uma bem atrás de nós. - Amanda disse
sentada em uma poltrona.

- Que merda. Vamos
ser pegos. - Jaqueline limpou o suor que escorria em sua testa.

- Não vamos não.
Somos apenas curiosos que entraram em um crematório na noite de dia das
bruxas, o que a polícia vai alegar? - Peter
disse enquanto ajudava a recolher as cinzas.

- Invasão de propriedade privada? Falta de
respeito com pessoas falecidas? E você é maior de
idade, então basicamente todo o problema virá
em cima de você. - Jaqueline afirmou se

levantando, quando acidentalmente colocou a
mão ainda com resíduos de cinzas na boca.

- Hum, que gosto
agradável. - Jaqueline afirmou para si mesma bem baixinho.

- Quem está aí? -
Disse o guarda com uma lanterna apontando para eles.

- MERDA! - Os três
exclamaram saindo correndo do crematório.

- Eu vou atrás de
vocês, seus pestinhas. Isso é invasão de privacidade. - O guarda com

sobrepeso e a boca
suja de ketchup saiu correndo tropeçando pelo caminho, enquanto os três
entraram rapidamente no carro.

Eles estacionaram em um posto de gasolina
ainda ofegantes, o relógio marcava 03:00 AM. Eles
foram até o banheiro e seguiram em direção à
casa de Jaqueline. No caminho, Amanda
 acendeu um baseado onde passou para Peter que
já estava quase dormindo. Ao chegar na 
casa, Maxwell estava
deitado no chão coberto até a cabeça, Elija estava organizando o local e
Andrei comendo doces enquanto assistia o
final de jogos mortais.

- É, pelo visto vocês se divertiram. - Peter
olhou para Elija.

- Vocês chegaram! -
Andrei exclamou abraçando Amanda e Jaqueline. - E estão fedendo.

- É, vamos tomar um
banho. Amanda usa o banheiro aqui embaixo, eu vou para o meu quarto.

E Peter, nem pense em
vir atrás de mim. - Jaqueline disse enquanto subia até seu quarto.

- Eu cuido dele,
aliás, você precisa de um banho, está chapado. - Andrei disse segurando Peter
que cambaleava para lá e pra cá.

Enquanto Jaqueline tomava banho, ela estava
pensando sobre o gosto das cinzas que

acidentalmente
colocou na boca. Ao mesmo tempo que ela se culpava por ter gostado, ela
 cogitou em ir atrás
de um pouco mais.

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