O Crematório
Titulo do capítulo: Capítulo 3 - Passado
Autor: Ester Silva
Na manhã seguinte,
eles resolveram tomar café da manhã juntos. Os pais de Jaqueline haviam
chegado, eles cumprimentaram todos do grupo e questionaram se haviam se
divertido. Arnold o pai, cinco anos mais velho que Amélia. Ele era divertido,
tinha os olhos verdes e cabelos ondulados. Amélia, era morena, com cabelo curto
com mechas azuis e olhos castanhos escuros.
- Vejo o
semblante de ressaca na cara de cada um de vocês. - Amélia disse sorrindo.
- Oi, mãe! Como
foi a viagem? - Jaqueline questionou ainda com o rosto inchado por ter dormido
demais.
- Foi ótimo, eu
e seu pai ficamos no cinema ao ar livre, conhecemos um restaurante incrível,
com lanches artesanais e a Júlia dormiu na maior parte da viagem.
- Oi, Andrei. -
Júlia disse tímida.
- Oi pequena,
como você está?
- Estou bem.
Olha o que eu ganhei. - Júlia mostrou seu box de livros do Percy Jackson.
- Ah, que legal.
Quero todos emprestados. - Andrei sorriu, enquanto Júlia sentou-se ao seu lado
para comer pães de queijo.
Júlia era a irmã
caçula de Jaqueline, ela tinha 11 anos e era uma menina doce, simpática e intelectual.
Puxou os olhos verdes do pai, enquanto Jaqueline, os olhos castanhos da mãe. De
todos os amigos de Jaqueline, Júlia gostava mais do Andrei, ela dizia que ele
era como um irmão mais velho
para ela.
Na segunda-feira
depois do dia das bruxas, Jaqueline pegou o carro e foi em direção ao
crematório. Ela tinha faltado do colégio, como seus pais estavam trabalhando e
eles estavam com o outro
carro, não se deram conta que Jaqueline saiu logo pela manhã e não utilizou o transporte
público.
Quando chegou ao
crematório, o guarda não a reconheceu.
- Olá, meu nome
é Mariana, eu vim buscar as cinzas do meu falecido avô, me falaram que estaria na urna
e pronta para retirada no dia de hoje.
- Eu preciso de
um documento com foto.
Jaqueline mentiu
e mostrou sua identidade falsa que se passava por Mariana. O guarda
liberou, Jaqueline assinou os papéis, retirou o vidro com as cinzas e foi em
direção a um banheiro
público. Em menos de 30 minutos, Jaqueline ingeriu todo o vidro contendo as cinzas. Ela
comeu como se fosse um delicioso bolo e até lambeu os dedos.
minutos, Amélia ligou para saber onde Jaqueline estava:
9
carro não está na garagem e a professora informou que você não compareceu à aula hoje. O que
combinamos sobre não pegar o carro sem ordem e andar com ele pela cidade se não for
urgência? Você ainda não tem habilitação, precisa tomar cuidado.
- Oi mãe, me
desculpe. Eu passei mal e acabei indo direto ao hospital.
- O que você
tem? Está sozinha, quer que eu vá até aí?
- Não, mãe. Eu
estou melhor, tomei algumas medicações e já vou voltar para casa.
- Tudo bem,
quero você em casa até as 10:00.
O relógio
marcava 09:30, Jaqueline guardou o vidro na mochila e foi em direção à sua
casa. Ela começou a
sentir dores no estômago e um pouco de ânsia, certamente, aquelas cinzas não lhe fizeram bem.
Ela respirou fundo e tentou ignorar o que acabou de fazer. Sentou-se na sua cama, abriu um
livro e seu pai logo veio questioná-la:
- Meu bem, como
está se sentindo? - Arnold passou a mão nos cachos de Jaqueline.
- Estou péssima.
Parece que aqueles remédios não resolveram.
- Eu preciso ir
trabalhar. Hoje tenho uma reunião importante. Mas, se você precisar, a Elay
pode vir aqui
cuidar de você. Depois ela vai buscar a Júlia no ballet. Elay era a
cuidadora, duas vezes por semana ela faxinava a casa, tinha um quarto para ela, cuidava
das meninas e era
muito prestativa para a família. Arnold era CEO
de uma grande empresa de maçanetas em inox, já Amélia, era arquiteta.
Ainda no mesmo
dia, Jaqueline começou a pensar em como sua vida estava virando de cabeça para baixo, mas
não queria contar para ninguém. Quando ela tinha oito anos sofreu um acidente de carro em que sua perna esquerda foi gravemente
ferida e ela bateu fortemente a cabeça ficando em coma durante dois meses.
Quando ela voltou do coma, Amélia dizia que ela tinha medo em excesso de fazer
qualquer coisa, até mesmo para tomar banho. Ela não conseguia ir para a escola
pois dizia que estava sendo perseguida, mesmo que Elay a acompanhasse nas
aulas. Sua mãe começou a levá-la para sessões de psicoterapia e acompanhamento
com psiquiatra. Ela foi diagnosticada com esquizofrenia
leve e transtorno de estresse pós-traumático, ela poderia viver uma vida
estável desde que
tomasse todas as medicações corretamente.